Sede Cre Sul 2ª Região
Feed E-mail Facebook

A RELIGIÃO DE JESUS - AME Uberaba

A RELIGIÃO DE JESUS

- Leonel Varanda -

 

“Um dos fatos marcantes do nosso tempo, do mundo contemporâneo, é que o poder das Religiões formalistas, humanas, não é mais religioso, mas simplesmente econômico, político e social” (Herculano Pires, Agonia das Religiões).

 

Estamos observando na atualidade, a multiplicação de pretensas manifestações religiosas, forjadas pela cultura materialista, do imediatismo, dos valores materiais, do poder humano, que não apresentam as bases sólidas do movimento religioso autêntico, apoiado em valores eternos e não transitórios.

 

O Professor Herculano Pires, no livro Agonia das Religiões, nos adverte sobre esse fenômeno social, que se apoia nos próprios interesses do ser humano. “Começa, então, a aparecer milhares de seitas forjadas por videntes e profetas da última hora, fenômeno característico das épocas de transformação, na maioria leigos que se apresentam como missionários, místicos, improvisados e de olhos mais voltados para os bens terrenos do que para os tesouros do Reino dos Céus. Esse fato geralmente acontece, quando um sistema institucional, religioso ou político esvazia-se no tempo, tragado na voragem das mudanças culturais, e, neste caso, surgem os aproveitadores, que invadem os domínios abandonados e socorrem, a seu modo, os órfãos em desespero”.

 

Nesse cenário, é importante entender a presença de Jesus, com seu sistema religioso, promovendo a educação das Almas, tendo como pano de fundo o cenário da própria natureza, e utilizando-se, apenas, do amor, da humildade, do perdão incondicional, enfim, dos sentimentos que estão presentes no coração da própria criatura humana.

 

Durante seu ministério público, o Mestre procura construir não uma Religião, mas um sentimento de religiosidade no coração dos homens, com o propósito de ligar o ser humano aos bens permanentes da vida, ou seja, aos valores espirituais. Com Jesus, a religião se apresenta como um sistema educativo dispensando templos de pedra, rituais e avanço ao poder humano, pois, o que interessa a Deus é a Alma, e não a precária exterioridade do culto convencional, quase sempre vazio. Jesus estabelece, então, as bases para a Religião do culto interior, do aperfeiçoamento moral, pela prática do bem, do amor e da caridade. A passagem do Bom Samaritano, onde se destaca o sentimento de compaixão pelo próximo necessitado e suas manifestações de caridade, nos falam que a verdadeira Religião é construída pelo sentimento de amor pelo próximo.

 

Jesus provoca o Ser Humano a buscar contato diretamente com o Criador, ou seja, levando o Homem a agir com plena consciência de seus deveres. É ele mesmo o construtor de seu futuro, sendo protagonista de um processo de autoeducação progressiva. Caem por terra, enfim, os intermediários que sempre zombaram da credulidade pública, ao se colocarem como pretensos representantes de Deus.

 

No processo pedagógico utilizado pelo Salvador, nem templos de pedra, rituais, práticas exteriores, hierarquias efêmeras, avanço ao poder humano, mas desprendimento aos bens terrenos. Tem uma atitude firme e enérgica contra os “vendilhões do templo”, aqueles que, em todas as épocas, fizeram comércio com as coisas divinas ou, ainda, os encontramos vivendo como profissionais da Religião.

 

Parafraseando o pensamento de Humberto de Campos, do livro “Boa Nova”, psicografado por Chico Xavier, poderíamos dizer que o Mestre legou-nos a forma de religação ao Criador, afirmando, no diálogo com a Samaritana, que “Deus é Espírito e somente em Espírito deve ser adorado, no Templo dos corações”; distribuiu os tesouros do conhecimento eterno, sem exigir pagamento algum; dirigiu-se aos homens simples de coração, curvados para a gleba do sofrimento e ergueu-lhes a fronte para o céu; aproximou-se de quantos desconheciam a sublimidade dos próprios destinos e assoprou-lhes a verdade, vazada em amor, para que o sol da esperança lhes renascesse no ser; abraçou os deserdados e falou-lhes da Providência infinita; reuniu em torno de sua glória, que a humildade escondia, os velhos e os doentes, os cansados e os tristes, os pobres e os oprimidos, as mães sofredoras e as crianças desamparadas e entregou-lhes as bem-aventuranças celestes; ensinou que a felicidade não pode nascer das posses efêmeras, e sim da caridade e do entendimento, da modéstia e do trabalho, da tolerância e do perdão; afirmou que a Casa de Deus esta constituída por muitas moradas, nos mundos que preenchem o universo; ensinou que o homem deve nascer de novo para progredir na direção de Deus; proclamou que a morte não existe, reaparecendo aos discípulos em plena imortalidade, e ensinou, enfim, que a verdadeira Religião é sentimento, representada pelo caminho do bem, do amor e da prática da caridade.

 

“A Religião pura para com Deus é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tiago, 1:27).

 

Jesus inaugurou na Terra o caminho da verdadeira libertação espiritual, através do princípio do amor, e ao proclamar a sublimação da vida íntima traçou-nos a rota para Deus, e nos deixou o entendimento de que a verdadeira religião é representa por um sentimento permanente de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, no exercício da caridade e no templo do coração.