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ANTE A REVELAÇÃO CRISTÃ - AME Uberaba

ANTE A REVELAÇÃO CRISTÃ

- Leonel Varanda -

 

Jesus, dirigindo-se aos doutores da lei, lhes diz:

Publicanos e mulheres de má vida entrarão no reino dos céus antes de vós.

Veio João e apontou-vos o caminho da justiça; vós, porém, não lhes deste fé, ao passo que publicanos e mulheres de má vida creram nas suas palavras.

Mateus, Cap. XXI, v. 32

 

Em muitas ocasiões, Nosso Senhor Jesus se utilizou de expressões contundentes para expressar seus pensamentos, mas que valiam como advertências e fundamentos da verdade. Muitos Espíritos, escravos de suas próprias concepções e preconceitos, ou mesmo por imaturidade espiritual, não admitem que a vida seja expressão de revelações espirituais que lhes escapam ao entendimento.

 

Os doutores da lei, representados na atualidade por autoridades eclesiásticas dominadas por dogmas ou práticas ritualísticas, escravos do poder humano e das regalias sacerdotais, além de materialistas, escravos de suas conveniências pessoais, não poderiam admitir que a revelação da justiça de Deus chegasse através de um homem simples e, notadamente, sem qualquer tipo de cultura oficial ou acadêmica.

 

Mas, os simples de coração, os humildes, encontram, nessas ocasiões, o roteiro para sua emancipação espiritual, ao sentirem que estão diante da verdade. A luz dos novos ensinos chega pelas vias da inspiração, a partir do momento em que a experiência de vida já lhes ensinou da inutilidade de toda conveniência social, ou da tola vaidade, que não conseguem mais satisfazer aos interesses da alma. Esses Espíritos procuram a verdade, assim como a planta procura o sol, no sentido de sintetizar o próprio alimento, a partir da adubação e da água presente no solo. Da mesma forma, os Espíritos, a partir de experiências vividas em múltiplas existências, e cansados do “canto das sereias” que chegam através dos apelos materiais, aceitam, com muito mais facilidade, quando em contato com as revelações divinas, as realidades da vida espiritual.

 

Nesse sentido, os homens simples de coração, os humildes, os cansados e tristes da vida material, apesar de sua invisibilidade social, acabam encontrando na revelação cristã o sentido existencial, que os levam a realizar um amplo trabalho de renovação, tendo como ponto de partida o “amai-vos uns aos outros como Jesus nos amou”.

 

Ao longo de suas existências empenham-se no trabalho de renovação interior, com a mente voltada para a vida espiritual, transportando consigo os valores inesgotáveis do amor incondicional e da renúncia santificante, a se corporificarem no mundo através de belas obras de caridade cristã.

 

Foi por esse motivo que Jesus, ao dialogar com os doutores da lei, lhes diz que publicanos e mulheres de má vida os antecederão na entrada do reino dos céus, por uma questão de Justiça, já que o reino de Deus encontra-se na intimidade da própria criatura, não vem com aparências exteriores, e exige que os candidatos ao apostolado consigam

materializar a revelação divina através da boa vontade, do trabalho renovador, da renúncia, do sacrifício e do sentimento de amor incondicional.

 

Dessa forma, vamos encontrar exemplos belíssimos de dedicação e vivência das práticas cristãs, desde as primeiras manifestações do evangelho do Cristo, escrito a partir de seus exemplos e do entendimento de suas lições inesquecíveis, como roteiros seguros de emancipação espiritual. Poderíamos concluir, lembrando que um dos exemplos mais belos de renovação íntima à luz do Evangelho foi o de Maria Madalena, uma mulher considerada de má vida, cansada dos apelos do mundo, mas que consegui renovar seus propósitos existenciais, vencer a si mesma, e chegar a construir o reino de Deus, dentro do próprio coração, pelas vias das manifestações de fraternidade e do sentimento de amor puro.